Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de dezembro de 2009

Crise ambiental

Isabelle Azevedo
12 Dez 2009 - 01h27min
Fonte: http://opovo.uol.com.br/opovo/opiniao/936575.html

Nos últimos anos, a resposta dos líderes mundiais frente à crise ambiental planetária assemelhava-se à metáfora da história do Titanic: à medida que o navio afundava, mostrava seus passageiros impávidos e despreocupados jogando no convés, sem perceber que o navio seria destruído rapidamente. Contudo, a 15° Conferência das Partes do Clima da ONU (COP-15), iniciada no último dia 7 de dezembro em Copenhague, na Dinamarca, apresenta-se como uma chance para que o final da história da humanidade não se assemelhe ao navio, permitindo que haja a sobrevivência de toda a comunidade de vida. Está nas mãos das lideranças mundiais firmar um acordo climático justo e ambicioso.

A mudança ambiental global já é uma realidade e pode ser verificada nos eventos climáticos extremos, registrados nos últimos anos. As crianças e os jovens (entre 15 e 29 anos) são os que mais sofrerão com essas mudanças. É fácil explicar: no cenário apresentado pelos cientistas do Painel Intercontinental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) para 2050, na qual as temperaturas do planeta estarão em torno de 4°C se nenhuma medida urgente for tomada para reduzir a emissão de gases, o planeta herdado pelas futuras gerações será muito diferente do de hoje. Poderá haver uma acentuada luta pela sobrevivência. Os recursos estarão mais escassos, principalmente a água que será também de baixa qualidade. Segundo o relatório britânico de 2008, feito pela International Institute for Environmental and Development (IIED), jovens e crianças serão mais vulneráveis a doenças transmitidas pela água e pelo ar, por exemplo.

A juventude tem um papel fundamental para superar a crise ambiental. É necessário que os jovens se insiram nas mobilizações para exigir dos governos políticas públicas que possam amenizar os impactos ambientais que deverão atingir os jovens, reconhecendo que a geração que virá poderá apresentar necessidades especiais para sobreviver. O Programa de Juventude e Meio Ambiente & que está sendo constituído a passos lentos pelo grupo de trabalho da Secretaria de Juventude e pelos Ministérios da Educação e do Meio Ambiente & precisa ser efetivado enquanto política pública, já prevendo em seu texto-base medidas que incentivem o enfrentamento às mudanças ambientais globais.

A urgência da mudança depende também de atos individuais. A juventude precisa romper com o modelo energético existente, com o modelo predatório com que os recursos são explorados e consumidos, instituindo uma verdadeira mudança paradigmática, ao incluir a sustentabilidade ambiental no centro das discussões políticas e sociais. Não dá mais para deixar enganar-se pelos produtos que tornam belos e eternizam como mostram as propagandas. É preciso pensar na quantidade de água e energia consumidas, no trabalhador que fabricou o produto e no resíduo a ser gerado. A complexidade ambiental precisa ser levada em conta para superar este sistema econômico. A hora da mudança é agora.


ISABELLE AZEVEDO
Jornalista e Coordenadora do projeto Escola de Formação da Juventude, da Associação Alternativa Terrazul

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Eita Política! *

Agora e sempre quero conhecer nosso modo de viver. Falo, realizo ações e escrevo para que possa aprender mais e mais e ser também protagonista da nossa história de gente organizada que realmente deseja o bem comum.

A sociedade elege seus governantes. O povo escolhe os seus representantes. O interesse comum é defendido por políticos. Mas, hoje é tempo ainda de ver e reverter um quadro inaceitável: as pessoas que escolhem seus governantes nem sabem, na maioria dos casos, o que este vai realmente fazer quando eleito. Simplesmente acham que os governantes devem estar no governo para cumprir promessas.

Creio que o grande problema esteja na ignorância política. Temos médicos, pedreiros, donas de casa, empresários, professores, eletricistas, programadores, artistas, carpinteiros, bombeiros, estudantes e tantos outros segmentos da sociedade que ainda não se dão conta que são seres políticos. O tema política só é aceito quando é hora de votar. Sei que parece redundante, mas é fato. Como reverter a situação? A quem interessa deixar tudo como está?

A solução é acender as luzes! O que faz um senador? E que educação os maus políticos tiveram? Cadê os valores? Ah sim, na TV!? Está nos livros didáticos que agora tem reforma ortográfica e nada falam sobre política, não na íntegra, desde a câmara dos vereadores até o Planalto e outros tantos assuntos que interessam de verdade.

Precisamos saber o que está por trás da faixa de presidente ou de outros cargos importantes, estes por vezes parecem castrar ideais de verdadeiras mudanças e amordaçar vários partidos e políticos. Qual é o medo? De levar o País a um caos? Nossas vidas podem ser abaladas pela desordem econômica? Mais fome, violência, retrocesso, doenças e tantas outras desgraças? É isso? Na figura de alguns políticos vejo chantagistas dentro de ternos e suas gravatas engomadinhas se passando por políticos sérios. Como isso foi acontecer? É que até quem era um “revoltado político” agora é um homem bonzinho que se abraça com um político explicitamente cara-de-pau. Fernando Collor de Melo, não precisa ter maiores esclarecimentos políticos para saber o que este nome representa. Mas seria ruim para a política nacional punir severamente quem fez pouco da nação! Então leve um abraço fraterno do nosso presidente.

Minha inquietação não quer respostas, mas questionamentos feitos por todas/os que formam a sociedade. Grito para que eu também acorde e não dê de cara com um país ou um mundo estagnado e boquiaberto com a realidade de desigualdade e violência, que por mais silenciosos que pareçam, são de proporções gigantescas e inaceitáveis para quem quer o bem, a “vida boa” para todas/os!

Tenho clara visão que a verdadeira crise que hoje vivemos é a de valores. Somos pessoas que fazem a política que aí está e a economia nossa de cada dia. Todo dia sinto que uma força invisível grita ao meu ouvido dizendo que eu nada posso fazer. Que outros em quem acredito não querem o mesmo que eu. E que a luta sempre será vã, umas passeatas, gritos, grupinhos e boa vontade é o máximo que posso realizar. Mas, outras forças, com gritos maiores e claros afirmam que toda e qualquer ação é transformadora se for verdadeira. Se os que se sentem incapazes de transformar o Mundo em que vivem despertassem, veriam a força que tem. O poder de mudança não é medida em escala de nível social, posse de bens... É a consciência que conta.

Se me envergonho dos políticos, empresárias/os e todas/os que se corrompem por dinheiro, então vou à luta. Quero justiça. Quero educação para tod@as, educação de verdade, dentro e fora das escolas. Quero ter serviços públicos de qualidade, na área da saúde, educação, previdência e infra-estrutura... E quero ainda ver sentido em empregar meu voto e fazer valer minha condição de cidadã brasileira. Será que é querer demais? Nós que queremos respeito aos nossos direitos temos muito o quê fazer. Cada um tem seu jeito de contribuir. E você?


“Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer”. (Luís Fernando Veríssimo)

*Edineuda Soares. Estudante de economia da Universidade Federal do Ceará - UFC e militante ambientalista membro da Juventude Alternativa Terrazul.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Negociações internacionais sobre mudanças climáticas: Como garantir avanços?

Pedro Ivo de Souza Batista e Esther Neuhaus *


A contagem regressiva para a realização da 15ª Conferência das Partes (CoP-15) da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas em Copenhague, Dinamarca já começou. Faltam 5 meses, mas é pouco tempo para o que está em questão nesta conferência, durante a qual deve ser tomada uma decisão sobre o futuro do regime global de clima, especialmente no que se refere ao conjunto de metas de redução de gases de efeito estufa para os países industrializados e compromissos para planos e programas nacionais para a mitigação das mudanças climáticas nos países em desenvolvimento.

O que está em jogo nas negociações internacionais?

No caminho para a CoP-15 as negociações se concentram em cinco blocos temáticos, são eles: Visão compartilhada (que visa a definir um objetivo global para a redução de emissões de gases de efeito estufa, de acordo com o princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas), mitigação (que trata de metas e ações nacionais e internacionais adicionais para reduzir as emissões), adaptação (que pretende definir a cooperação internacional necessária para apoiar a adaptação, por meio de avaliação de vulnerabilidades, capacitação e transferência de recursos, dos países e comunidades mais afetadas pelos impactos das mudanças climáticas), transferência de tecnologia (para apoiar ações de mitigação e adaptação), e apoio financeiro (para apoiar ações de mitigação, adapta ão e cooperação tecnológica).

Nesta CoP-15 será necessário definir as metas de redução das emissões de gases de efeito estufa para os países industrializados após 2012, quando se encerra o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto. Existem várias propostas na mesa, especialmente no sentido de pressionar estes países a assumir metas profundas. Por outro lado, os países ricos esperam sinais muito claros dos países em desenvolvimento, especialmente dos grandes emissores de gases de efeito estufa como a China e o Brasil. Desta forma, cada um aguarda o outro na realização de seus compromissos, mas é crucial evitar um impasse nestas negociações.

Outra área chave para garantir avanços em Copenhague é a da transferência de tecnologias. Muitos países em desenvolvimento entendem que as inovações e tecnologias relacionadas com as mudanças climáticas devem ser de domínio público e não estar sob um regime privado de monopólio de patentes que obstaculiza e encarece sua transferência. Esta discussão precisa de uma boa avaliação de riscos, para impedir que ocorra a transferência de tecnologias como energia nuclear, agrocombustíveis em grande escala e transgênicos, por exemplo. Os países devem dar prioridade à pesquisa e implementação doméstica e adaptação de tecnologias já existentes e que se mostram socialmente justas e ambientalmente corretas. Também é fundamental garantir o controle e a participação popular nessas escolhas.


Mudanças climáticas na América Latina: Injustiça climática

A América Latina está entre as regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas, como foi constatado em relatórios divulgados recentemente pela Comissão Econômica da ONU para América Latina (CEPAL) e pelo Banco Mundial. Os motivos se encontram nas características geográficas muito específicas e na baixa capacidade política de mitigação e adaptação que leva a injustiça climática, uma situação na qual os países que contribuem pouco ou nada com as emissões de gases de efeito estufa são os mais atingidos pelos impactos das mudanças climáticas. A temperatura da região aumentou cerca de um grau durante o século passado, gerando conseqüências como o recuo das geleiras; a ampliação de áreas desérticas; danos causados a pântanos e a zonas costeiras; o risco de retração das florestas da Bacia Amazônica; e um aumento dos desastres climáticos.

As mudanças climáticas causem também severos impactos negativos no sistema socioeconômico da região. O Banco Mundial prevê perdas agrícolas da ordem de US$ 91 milhões (1% do PIB) em 2050 com um aumento de temperatura de até 2ºC. Nas regiões que já sofrem com secas, haverá um aumento da salinização e desertificação do solo. Haverá também aumento de pragas e doenças nas plantações e um aumento da demanda de água para irrigação, gerando uma maior competição por esse recurso. Como os lençóis freáticos estarão mais secos, o custo da produção agrícola será mais alto. Todo esse cenário pode aumentar a desigualdade e a pobreza da população em áreas rurais, além de contribuir para a escassez de alimentos, gerando insegurança alimentar. Na saúde pública as mudanças climáticas podem provocar mais desnutrição e risco de incidência de malária e dengue. Nas áreas urbanas, um dos maiores problemas enfrentados será a falta de água. Estima-se que, em 2055, entre 60 e 150 milhões de pessoas na região sofrerão estresse hídrico. Impactos sérios também se farão sentir no setor da indústria e do turismo, especialmente nas áreas costeiras, em decorrência do aumento do nível do mar.


Crise financeira e as forças do mercado: que modelo de desenvolvimento queremos?

Com o grande número de furações, inundações, incêndios e secas nas mais variadas partes do planeta, parece que o clima está mudando a passos mais rápidos de que as negociações avançam. A crise financeira não deve ser usada pelos governos como desculpa para não assumir compromissos claros para enfrentar a crise climática que é mais grave e permanente que a financeira. Junta-se a este cenário a crise alimentar e a crise dos recursos naturais, que se refere à degradação dos ecossistemas e uso irresponsável dos recursos naturais. No que tange as crises que se relacionam com a natureza, podemos dizer que fazem parte de uma crise mais ampla, a crise ambiental global fruto da insustentabilidade do modelo de produção e consumo hegemônico no mundo.

Na própria discussão de reduzir os impactos das mudanças climáticas tem surgido a proposta da agroenergia, como alternativa de energia renovável em substituição aos combustíveis fósseis. Devido à variedade de grãos, o Brasil e outros países da região apresentam condições favoráveis de produção de agrocombustíveis, especialmente etanol. Espera-se um crescimento do mercado internacional devido ao aumento do preço do petróleo e também porque os países desenvolvidos estão obrigados a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. O próprio Plano Nacional de Mudanças Climáticas do Brasil, lançado no ano passado, afirma que "a expansão da produção brasileira de etanol deverá acompanhar o crescimento do consumo nos mercados interno e externo". Desta forma, considerando a demanda nacional, estima-se um aumento da produção de 25,6 bilhões de litros em 2008 para 53,2 bilhões de litros em 2017. A projeção das exportações no mesmo período salta de 4,2 para mais de 8 bilhões de litros. A produção de etanol não apenas co loca enorme pressão sobre terras e infra-estruturas de transporte, mas apresenta graves problemas sociais como trabalho-escravo e ambientais como queimadas e competição por recursos naturais.

Outro grande risco na discussão sobre a solução da crise climática é colocá-la somente sobre a ótica de mercado, ainda mais em tempos de crise financeira que atestou o fracasso do neoliberalismo. Neste contexto, existem vários mecanismos hoje, entre eles o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, criado pelo Protocolo de Quioto para auxiliar o processo de redução de emissões de gases de efeito estufa por parte dos países industrializados, a partir da implantação de tecnologias limpas em países em desenvolvimento. Embora esses mecanismos tenham que contribuir ao desenvolvimento sustentável nestes países, permite aos países ricos continuar com o seu modelo de produção e consumo, perpetuando o modelo capitalista mundial com uma fachada "verde". Faz-se necessário, além de questionar o predomínio do mercado que também permeia outras discussões atuais nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas como aquela sobre REDD (Redução de Emissões provenientes do Desmatamento e da Degradação de Florestas), uma discussão sobre o modelo de desenvolvimento que queremos para a nossa região, o mundo e para as presentes e futuras gerações.


O movimento pela justiça climática e pelo pagamento da dívida climática

Felizmente, existem propostas mais vinculadas ao campo popular para enfrentar a crise climática. Nos últimos anos, a sociedade civil tem se envolvido cada vez mais no debate, apresentando soluções inovadoras, sempre baseadas na defesa da justiça climática. Já uma das contribuições governamentais mais interessantes foi lançada este ano pela Bolívia que defendeu que os países desenvolvidos devem reconhecer a dívida ecológica histórica e climática que têm com o planeta e criar um mecanismo financeiro para apoiar os países em desenvolvimento na implementação de seus planos e programas de adaptação e mitigação das mudanças climáticas; na inovação, desenvolvimento e transferência de tecnologia; na conservação de seus da dívida de emissão (histórica, presente e também futura) e da dívida de adaptação, que representa o custo com o qual os países em desenvolvimento devem arcar para se adaptar aos impactos das mudanças climáticas geradas pelos países ricos.

Na visão da Bolívia, o mecanismo financeiro de pagamento desta dívida deveria contar com um aporte de, no mínimo, 1% do PIB dos países desenvolvidos, sem contar outros recursos provenientes de impostos sobre combustíveis, transnacionais financeiras, transporte marítimo e aéreo e bens de empresas transnacionais. A Bolívia defende claramente que os financiamentos têm que ser dirigidos aos planos e programas nacionais dos Estados e não para projetos que estão sob a lógica do mercado.

Também, a senadora brasileira Marina Silva, na época que era Ministra do Meio Ambiente propôs um pagamento por parte dos países ricos aos países em desenvolvimento que mantiverem suas florestas preservadas. A proposta é reconhecer os serviços ambientais que essas áreas prestam ao planeta e garantir incentivos financeiros para mantê-las, incluindo apoio as populações tradicionais que vivem e trabalha de forma sustentável nestas áreas.


O papel dos movimentos populares e das ONGs na luta contra as mudanças climáticas

Uma atuação firme e constante da sociedade civil é crucial para garantir um bom acordo como resultado das negociações em Copenhague, tanto no sentido de pressionar os governos a assumir metas e compromissos consistentes para enfrentar as mudanças climáticas, como na mobilização e sensibilização da sociedade em geral.

Com relação à pressão interna, é importante lembrar que pelas regras atuais da Convenção de clima, os países em desenvolvimento não estão obrigados a assumir metas quantificadas de redução de emissões, porém devem elaborar planos e programas nacionais mensuráveis que visam a reduzir as emissões e contribuem ao desenvolvimento sustentável. Neste sentido, o lançamento do Plano Nacional de Mudanças Climáticas do Brasil na última conferência de clima que ocorreu no ano passado na Polônia foi muito aplaudido e elogiado. Resta dizer que não será suficiente o Brasil divulgar seus propósitos fora do país e não cumprir com a agenda nacional assumida e divulgada. Reconhecemos, obviamente, o fato de um país em desenvolvimento estabelecer alguma meta para reduzir o desmatamento, que é responsável por 75% das emissões do país, mas o Plano não deve ficar no papel. Serão necessários mecanismos e estruturas de governança e monitoramento do Plano, com forte participação da sociedade civil e das comunidades afetadas pelas mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, é necessário denunciar a falta de coerência entre o Plano e os compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção de clima, e demais planos e políticas governamentais como o Plano Decenal de Expansão de Energia 2008-2017 e o próprio Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

É também necessário e viável que outros países da América Latina se comprometam com o enfrentamento das mudanças climáticas, é coerente que cada uma cumpra sua parte para diminuir as emissões de CO2 e diminuir o peso do carbono em suas economias.

Entre várias iniciativas que organizações da sociedade civil lançaram, destacamos a Campanha Global de Clima (Global Campaign for Climate Action/GCCA) que visa mobilizar a opinião pública para apoiar processos de transformação e ação rápida para evitar mudanças climáticas perigosas, com um foco inicial num acordo justo e equitativo na CoP-15. Várias organizações brasileiras já estão envolvidas no braço nacional da campanha, convidando todas as organizações e pessoas interessadas a colaborar, com ações cotidianas, estratégias políticas e mobilização em massa, na luta contra as mudanças climáticas. Esse tipo de iniciativa demonstra que só a sociedade civil e os movimentos sociais organizados podem levar os governos a terem posições mais firmes no enfrentamento da crise ambiental e das mudanças climáticas.


* Pedro: Coord.da Rede Bras. de Ecossocialistas; membro do Cons. Edit. do Jornal Brasil de Fato / Esther: geógrafa e jornalista; Gerente-Exec. do Fórum Bras. de ONGs e Mov. Sociais pelo Meio Ambiente e Desenvolvimento. Ambos do Cons. Consult. Terrazul

Fonte: Adital

sábado, 18 de abril de 2009

Amazônia: moeda de troca do PAC

Greenpeace


Para governo, Amazônia desponta como a melhor estrada para levar Dilma à
presidência

*Brasília (DF), 15 de abril de 2009* - Em um ato de inaceitável oportunismo político, o plenário da Câmara aprovou ontem emenda proposta pelo deputado petista José Guimarães (CE) que dispensa de licença ambiental prévia as obras em rodovias brasileiras. A medida, que serve para acelerar as obras do PAC, foi incluída na Medida Provisória (MP) 425/2008, que tinha como propósito autorizar o governo federal a usar títulos da dívida pública para injetar recursos no Fundo Soberano do Brasil (FSB). O deputado José Guimarães é também o relator da matéria.

A medida fixa um prazo máximo de 60 dias para que a autoridade ambiental, como o Ibama, emita o licenciamento ambiental. Ao final desse prazo, a licença será automática. A emenda altera a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei No 6.938, 81), reduzindo as medidas que garantem a devida análise dos impactos ambientais e a definição de medidas mitigadoras e compensatórias em obras de infra-estrutura como essas.

"O deputado José Guimarães é o mesmo que teve um assessor flagrado com dólares escondidos na cueca. Agora, ele usa o mesmo artifício para enfiar, em uma MP de caráter econômico, um corpo estranho que acaba com a exigência de licenciamento ambiental prévio nas obras de infra-estrutura. Hoje é uma estrada. Amanhã será uma hidroelétrica?", questiona Paulo Adário, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace. "Pior: ao conceder automaticamente a licença depois do prazo máximo, o governo resgata um artifício usado durante a ditadura militar para legitimar seus interesses escusos - com o agravante de que a medida passa a valer pra todo mundo".

Diversos estudos apontam que 75% do desmatamento ocorrem ao longo de estradas pavimentadas da região. Em muitos casos, como na rodovia BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), somente o anúncio do asfaltamento no restante da estrada estimulou enorme migração de fazendeiros e madeireiros, o que resultou em altas taxas de desmatamento e modificação drástica da paisagem.

Até o fim de 2010, o PAC prevê a modernização, a pavimentação e a duplicação de quase duas dezenas de estradas, ao custo de mais de R$ 8 bilhões em investimentos públicos e privados. Entre as rodovias beneficiadas está a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), cujo asfaltamento é defendido com unhas e dentes pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, com o objetivo de pavimentar sua candidatura ao governo do estado do Amazonas em 2010.

Durante a votação, poucos deputados preocupados com os impactos ambientais dessa medida tentaram excluir da MP 425/2008 a dispensa do licenciamento, mas sem sucesso. Governistas derrubaram os dois destaques sobre o licenciamento. Ficou para esta quarta a votação de um último destaque sem relação com esses itens. Após concluída a votação, a MP 452 vai para o Senado.

Se aprovada pelo Senado, a emenda do deputado José Guimarães pode causar danos sem precedentes ao meio ambiente, em particular à Amazônia e o clima global. O Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases do efeito estufa por causa da destruição da Amazônia. Zerar o desmatamento é a principal contribuição do país na luta contra as mudanças climáticas.

No entanto, iniciativas como a emenda do deputado José Guimarães, somada a outras em tramitação no Congresso - como o Floresta Zero, a MP da Grilagem e o lobby pelas alterações do Código Florestal - colocam em cheque as metas de redução de desmatamento assumidas internacionalmente pelo governo brasileiro no Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

"A campanha eleitoral, antecipada pelo presidente Lula para eleger a chefe da Casa Civil como sua sucessora, virou um trator que derruba tudo pela frente. A política ambiental está sendo sacrificada deliberadamente no altar da sucessão presidencial. E que a ministra Dilma não tenha dúvidas: o PAC, que poderia perfeitamente ser rebatizado de Plano de Aceleração da Catástrofe, vai abrir uma cicatriz irreparável na política ambiental brasileira e na imagem do país no exterior. E, desta vez, não haverá plástica que dê jeito", disse Adário.

Saiba mais:

Leia íntegra da nota de repúdio das organizações não-governamentais sobre o assunto. A NOTA DAS ONGS:

NOTA PÚBLICA SOBRE PAVIMENTAÇÃO DE ESTRADAS NA AMAZÔNIA

As organizações abaixo assinadas manifestam-se totalmente contrárias à tentativa de extinguir o licenciamento ambiental para pavimentação de estradas abertas conforme previsto no projeto de lei de conversão da medida provisória 452/2008 aprovado ontem (14/04) pela Câmara dos Deputados. A proposta pretende burlar a Constituição Federal, uma vez que é notório que o impacto maior ocorre após a pavimentação.

Do mesmo modo consideramos inaceitável o asfaltamento da BR 319, obra sem viabilidade ou justificativa comprovadas, desconectada de qualquer projeto de desenvolvimento regional. A prioridade dada a essa estrada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) atende interesses outros que não a ligação entre duas capitais do norte do país. O asfaltamento da BR 319 servirá apenas para abrir a região mais remota e preservada da Amazônia à ocupação desordenada, além de deteriorar, via forte pressão migratória, a qualidade de vida da cidade de Manaus.

A pavimentação de estradas é o maior vetor de desmatamentos na Amazônia. Historicamente 75% dos desmatamentos da região ocorreram ao longo das rodovias pavimentadas, como ocorreu na Belém-Brasília (BR 010), na Cuiabá-Porto Velho (BR 364) e no trecho matogrossense da Cuiabá-Santarém (BR 163) . O simples anúncio do asfaltamento já é suficiente para estimular o desmatamento e a grilagem, como ocorreu na BR 163, apontada como modelo de implementaçao de infra-estrutura viária na amazônia, mas, ainda assim, uma das regiões onde o desmatamento mais cresceu nos últimos anos.

Essas iniciativas ameaçam a sustentabilidade da região e põem em risco as metas de redução de desmatamento assumidas pelo governo brasileiro no Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

Amigos da Terra - Amazônia Brasileira

Conservação Internacional

Greenpeace

Instittuto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)

Instituto Centro de Vida (ICV)

Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON)

Instituto Socioambiental (ISA)

The Nature Conservancy (TNC)

WWF Brasil

sábado, 21 de março de 2009

DIA MUNDIAL DA ÁGUA



No dia 22 de março, é celebrado o Dia Mundial da Água que foi criado pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas através da resolução A/RES/47/193 de 22 de Fevereiro de 1993, declarando todo o dia 22 de Março de cada ano como sendo o Dia Mundial das Águas (DMA), para ser observado a partir de 1993, de acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (Recursos hídricos) da Agenda 21*.

O tema deste ano enfatizará as questões relacionadas às águas compartilhadas entre nações. Com 12% da água doce do mundo, o Brasil é destaque no V Fórum Mundial das Águas, em Istambul, na Turquia. Organizado a cada três anos pelo World Water Council (WWC) em colaboração com o país sede, o encontro é uma oportunidade para representantes de governos, gestores e usuários debaterem os rumos das políticas públicas de recursos hídricos. A proposta da reunião é contribuir para que os tomadores de decisões avancem em direção à cooperação global para o uso sustentável da água, sob os quais se assenta o futuro do planeta.

A água é um dos recursos naturais mais preciosos e importantes do mundo. Boa parte desse recurso encontra-se ameaçado pelos problemas socioambientais existentes como poluição, contaminação e degradação dos mananciais que tem sido responsáveis pela diminuição da oferta de água potável.

Estima-se que haja cerca de 1,4 bilhões de km3 de água em todo o planeta Terra. Desse total, cerca de 2,5% corresponde a água doce que está armazenada sob a forma de neve, geleiras e reservas subterrâneas. Para consumo humano, há menos de 1% de água doce disponível que pode ser encontrada nos rios, lagos, lagoas ou em reservas subterrâneas pouco profundas o que daria cerca de 0,01% de toda a água existente no planeta.

Segundo cifras das Nações Unidas, 1.2 bilhões de pessoas não têm acesso a uma quantidade suficiente de água para satisfazer suas necessidades básicas a um preço de acordo a suas possibilidades financeiras. Dessas, quase 100 milhões vivem na América Latina*.

No Brasil, apenas 91% das casas são atendidas por rede de abastecimento de água e menos da metade (57,4%) conta com sistema de coleta de esgoto sanitário. A situação é agravada pelo mau uso dos recursos hídricos. O sistema de abastecimento, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, desperdiça 30%, de toda a água, número que aumenta se considerados os hábitos de consumo da população, que faz com que parte da água tratada tenha uma destinação inadequada.

De todos os problemas existentes, a poluição das águas é um dos fatores mais preocupantes. Entre as principais fontes poluidoras é possível citar o derramamento de esgotos industriais e domésticos, a contaminação por agrotóxicos, o acúmulo de resíduos sólidos, o vazamento de petróleo e os resíduos químicos que são extremamente prejudiciais aos ecossistemas e a saúde humana.

Apesar de haver esforço para a gestão dos recursos hídricos, ainda há muita o que ser feito para preservar e conservar os mananciais. Problemas como desmatamento de matas ciliares, o assoreamento das nascentes e a construção de grandes represas e barragens, ocasionando a extinção de rios secundários são os desafios encontrados pelas políticas de gestão das águas.

É preciso tem consciência de que água é um bem renovável, mas que pode acabar. Por isso, mudanças de atitudes e a formação de uma consciência ambiental global são necessárias para a preservação e conservação dos rios, lagos e lagoas e para evitar a escassez de água.

* Fontes: Wikipédia, Adital



Adelle Azevedo - Técnologa Ambiental, Juventude Alternativa Terrazul e Coletivo Jovem pelo Meio Ambiente

sexta-feira, 13 de março de 2009

Fórum Social Mundial e o Ecossocialismo

Os e as ecossocialistas sempre tiveram referências e se articularam no Fórum Social Mundial. Em 2003 através da oficina: A sustentabilidade pelo Ecossocialismo, promovida pelo CEA (RS) e Terrazul (CE) nasceu a Rede Brasileira de Ecossocialistas. É simbólico essa Rede nascer de um espaço como o Fórum Social Mundial (FSM), pois é nele que milhares de organizações, movimentos e lutadores e lutadoras sociais debatem, formulam e se articulam na luta por um outro mundo.

Embora o FSM -Fórum Social Mundial seja um espaço amplo, com grupos diferentes, estratégias diferentes, estamos lá por uma luta comum que é superar esse sistema que degrada, depreda, aliena, exclui e massacra os seres humanos e a natureza.

Nós, Ecossocialistas, acreditamos que um outro mundo é possível, mas que esse novo mundo deve ser sustentável, por isso é necessário colocar a luta ecológica no centro da estratégia da esquerda socialista. Esse outro mundo deve ser socialista sim, acabando à exploração do homem pelo homem e radicalizando a democracia, negando assim as tiranias burocráticas. Deve levar em consideração a defesa do meio ambiente, superando a exploração da natureza pelo capital e inaugurando relações fraternas entre os seres humanos com sigo mesmo e com os ecossistemas naturais. Deve mudar radicalmente a produção e o consumo voltados para os interesses do capital e inaugurar uma nova sociedade cujo o centro seja as reais necessidades humanas em harmonia com o meio ambiente.

E é desta junção (socialismo + movimento ecológico), amparada por novas formas de organização e luta, por uma nova consciência planetária ecológica, por uma ciência e tecnologia voltadas para a vida que nasceu o movimento ECOSSOCIALISTA. O Ecossocialismo baseia-se no socialismo democrático e nas práticas mais combativas de luta ambiental, como as efetivadas por Chico Mendes e seus companheiros e companheiras na Amazônia brasileira.

O sistema capitalista está a serviço de uma pequena elite mundial que busca se apropriar da vida, através de seus mecanismos de produção, reprodução, consumo, opressão e alienação. Pensar no ecossocialismo, e se articular em prol desta corrente de pensamento, é compreender que vivemos hoje uma crise ambiental planetária sem precedentes e que essa crise, juntamente com a crise econômica mundial, é produto do sistema capitalista que desenvolve cada vez mais mecanismos de destruição dos ecossistemas e da humanidade. Um dos elementos centrais desse processo são as mudanças climáticas que vêm afetado o planeta em escala crescente.

Por isso, não devemos nós enganar achando que medidas compensatórias ambientais, por mais importantes que sejam, resolverão o problema dos recursos naturais e da manutenção da vida no planeta. Muito menos achar que a esquerda pode construir o socialismo através dos mesmos padrões de produção e consumo utilizados por esse sistema mundial de mercadorias, sistema do descartável, onde o mais importante é produzir, pra gerar lucro, descartar e produzir novamente, transformando o planeta em um grande deposito de lixo, onde as conseqüências são trágicas, principalmente para as classes trabalhadoras, para as juventudes e futuras gerações.



Por Gabriela Barbosa Batista. Estudante de Tecnologia Ambiental Cefet, Presidente da Associação Alternativa Terrazul, REJUMA, Coletivo Jovem pelo Meio Ambiente do Ceará e Coordenadora Nacional da Rede Brasileira de Ecossocialistas.


Formação, vida e juventude!

Vivência seria a palavra certa para resumir a passagem por temas como agricultura urbana, educação ambiental, consumo sustentável, formações sociais, soberania alimentar e outros voltados para uma melhor visão da realidade e valorização da vida. Foi o que a escola de formação da Juventude Terrazul, através do FADOC (Fundo de Apoio para a Dinamização das Organizações Comunitárias de Base) veio nos trazer. O despertar da consciência para a realidade sem perder de vista sonhos e ideais para uma vida melhor.

Fora das salas de aula também é possível se sentir instigado a saber mais sobre a vida em sua grandeza, pois já dizia Paulo freire: “Ensinar não é apenas transmitir conhecimento”. A presença no Fórum Social Mundial Amazônia 2009 dos participantes desta Escola foi um ato concreto que mostrou a importância da partilha de experiências e conhecimentos. Foi bom também para um conhecimento mais amplo do que representa a Juventude Terrazul.

Da minha parte é difícil resumir o que representa ter a oportunidade de passar por estas formações e por fim do Fórum Social. Fica aqui registrado que a realização de projetos como este renova a esperança de quem acredita que “Um outro mundo é possível”. A dedicação das pessoas envolvidas na organização deste projeto merece destaque. Parabéns aos membros da Juventude Terrazul e a todos e todas que também contribuíram para a sua realização.
Por fim citarei Leonardo Boff, que junto de Marina Silva expressam certamente as minhas sensações durante esse processo e são referências nesta caminhada de luta por um Mundo mais justo, pessoas mais humanas e respeito à Mãe Terra. Suas participações durante o Fórum deixaram sementes em vários terrenos prontos para promover mudanças e transformar de várias e em diferentes proporções a realidade atual.


“...habitar poeticamente o mundo ao articular a máquina coma a poesia, o trabalho rotineiro com a criatividade, o interesse com a gratuidade, a objetividade nos conhecimentos com a subjetividade emocional, o pão penosamente ganho, com a beleza fascinante das relações calorosas. Isso deve ser resgatado.” Leonardo Boff




Edineuda Soares - Estudante de Economia UFC ,Escola de Formação da Juventude (FADOC) e Juventude Alternativa Terrazul, Coletivo Jovem de Meio Ambiente Ceará e atuou durante seis anos na PJMP (Pastoral da Juventude do Meio Popular)


quarta-feira, 11 de março de 2009

A humanidade enfrenta hoje uma escolha extrema: ecossocialismo ou barbárie!

O ser humano há muito tempo vem relacionando-se de forma desordenada com a natureza, usando e ocupando a Terra de maneira predatória, causando um desequilíbrio ecológico sem precedentes. O século XXI já se inicia com desastres ambientais e crises profundas na ordem mundial que vai de tsunamis e furacões até às guerras que se espalham pelo mundo. O aceleramento das mudanças climáticas é conseqüência dessa relação do homem com a natureza, produzindo assim impactos catastróficos nas vidas humanas, animal e vegetal. Esse acontecimento é real e comprovada por uma pesquisa (IPCC) Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas de 2007 realizada por pesquisadores do mundo que comprovam essa mudança do clima.

Mas não é o Aquecimento Global e as mudanças Climáticas que afligem e preocupam os governos, os meios de comunicação e a maioria da população, a verdadeira preocupação é a crise no sistema financeiro mundial. E essa crise é analisada separadamente das relações sociais e ambientais, como se não houvesse qualquer interferência entre elas.

Diferentemente desses, existem pessoas organizadas ou não que acreditam que essa crise é sistêmica. Ela é ao mesmo tempo econômica uma vez que interfere profundamente no trabalho, na produção e no consumo das pessoas, aumentando o preço de produtos básicos para a sobrevivência humana. Política, já que os direcionamentos dados a cada problemática são diversos e relacionados a pensamentos ideológicos. Também é social, pois as estruturas da sociedade não dão conta das necessidades e desafios atuais, interferindo, diretamente, na forma de organização das sociedades. E, profundamente, ambiental, já que a natureza é fator limitante para a sobrevivência das pessoas, pois é dela que são retirados os recursos que geram o ciclo de produção e consumo e reprodução da humanidade. E, além disso, é ética, por colocar em cheque valores como o individualismo e a responsabilidade com as atuais e futuras gerações. Nenhuma dessas crises estão isoladas umas das outras. Isso quer dizer que a crise ecológica e o colapso social estão profundamente relacionados. Suas conseqüências deveriam ser vistas como manifestações diferentes, mas com causas nas mesmas forças estruturais, o capitalismo.

Essa crise é resultado do modelo de civilização que vivemos que coloca o desenvolvimento e o lucro acima dos limites do planeta e de todas as formas de vida. Devemos perceber que os recursos naturais são limitados e que não podemos destruí-los para o benefício de uma parcela da humanidade, excluindo, massacrando e explorando a maioria da população. Mas ao mesmo tempo, a Terra é rica e abundante tendo condições de alimentar todos os povos, com respeito e distribuição dos recursos de forma igual e sempre com o cuidado para com a nossa grandiosa e generosa Mãe Terra. Cuidar da Terra é perceber que somos parte integrante dela e que podemos viver em harmonia com todos os seres, sem degradar. Satisfazendo as nossas necessidades.

Por isso é fundamental romper com o atual modelo de desenvolvimento, o capitalismo, que já se mostrou incapaz de regular e, muito menos, de superara as crises que criou. Ele não consegue resolver a crise ecológica porque fazê-lo significa colocar limites ao processo de acumulação, uma opção inaceitável para um sistema baseado na maximização do lucro. Devemos partir para a superação desse sistema, e construir o ecossocialismo. Um modelo de sociedade que estabeleça uma relação igualitária entre a humanidade com ela mesma e com a natureza.

O Ecossocialismo é, então, uma das opções políticas que atuam no interior do ambientalismo. É parte do movimento sócio-ambiental que é anti-capitalista unindo a luta ecológica à causa socialista. Assim, ele se contrapõe tanto com os socialistas que não consideram a importância estratégica da luta ecológica, como com os ecologistas que não atuam no sentido anti-capitalista.

Construir o Ecossocialismo significa lutar pela não separação dos produtores (trabalhadores) dos meios de produção (ferramentas necessárias para que os trabalhadores consigam transformar a matéria prima em produto) que é um dos princípios do socialismo, associada com a redefinição da trajetória e objetivo da produção em um contexto ecológico, ou seja, repensar todo o processo produtivo; a necessidade desse produto para a humanidade, como ele será produzido, que recursos ele necessita para ser produzido, se pode ser substituído por outro que cause menos impacto, como e onde ele será descartado.

Ele integra o socialismo e a ecologia especificamente em relação aos “limites ao crescimento”, essencial para a sustentabilidade da sociedade. Isso sem impor escassez, sofrimento ou repressão à sociedade. Propõe uma profunda transformação das necessidades, uma mudança de dimensão qualitativa, não quantitativa na vida das pessoas. O que quer dizer valorização dos valores de uso em detrimento dos valores de troca sob uma perspectiva ecológica.

“Não se trata de contrapor a sobrevivência humana à de outras espécies,
trata-se de entender que elas são inseparáveis e que nossa sobrevivência como
seres humanos depende da salvaguarda do equilíbrio ecológico e da diversidade
das espécies.” *

Michael Lowi

Lutar pelo ecossocialismo é também estar junto na luta das mulheres. É compreender que não existirá uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária se as mulheres continuarem a serem descriminadas, violentadas e desvalorizadas em relação ao outro sexo, o homem, e nem se o feminino não estiver no mesmo patamar que o masculino. É lutar para que as mulheres tenham autonomia sobre seus corpos podendo decidir sobre ele.

É também combater o racismo. Não permitir que nenhum ser seja descriminado pela sua cor, cabelos, olhos, vestimenta, música, ou qualquer outro tipo de forma. Deve haver o respeito pelas diferentes culturas, diferentes maneiras de viver.

Os Ecossocialistas também estão na batalha pela livre orientação sexual. Não aceitam que pessoas sejam julgadas e condenadas pela escolha sexual que fazem. As pessoas devem ser livres para amar.

É lutar pela soberania dos povos. Nenhum povo deve ser subjugado por outro.

Construir o Ecossocialismo é também carregar as bandeiras geracionais. É perceber que cada geração tem necessidades diferentes. É compreender que os jovens são sujeitos de direitos. A juventude não una, é diversa, múltipla. Ela é mais do que uma etapa na trajetória de vida dos indivíduos, é mais do que uma fase preparatória para a vida adulta. A condição juvenil possui "valor" por si mesma. Ela exige uma série de políticas públicas gerais, e também específicas, que se mostrem aptas a minimizar os riscos e os problemas sociais que recai principalmente sobre essa geração, bem como maximizar as oportunidades de inserção econômica, social, política e cultural dos jovens.

A juventude tem um papel importante nessa construção. 51 milhões de jovens brasileiros com idade entre 15 anos e 29 anos** enfrentam diversos riscos e problemas no seu cotidiano causados pelo modelo de desenvolvimento da nossa sociedade, que só tende a piorar quando chegarem à idade adulta. Esses jovens que enfrentam riscos e problemas só conseguirão superá-los com a sua inserção na mobilização social e política das organizações da sociedade civil.

Para os ecossocialistas as lutas não estão separadas. Por isso, as crises podem e devem ser vistas como oportunidades revolucionárias, e como tal temos o dever de afirmá-las para superá-las.

* Michael Lowi, texto; Ecologia e Socialismo extraído do www.brasildefato.com.br 2008.

** Pesquisa intitulada: "Juventude e Políticas Sociais no Brasil" realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2008.



Rebeca Raso - Estudante de Economia Doméstica da UFC, Integrante da Juventude Alternativa Terrazul, Coletivo Jovem pelo Meio Ambiente Ceará, REJUMA e Rede Brasileira de Ecossocialistas

Gosto não se discute, TV brasileira sim!

Francamente, atualmente não suporto certos tipos de programas televisivos... Sei que soa de uma forma negativa, mas é verdade. Nem a novela das oito que tanto está no gosto popular brasileiro! Será que existe algum fundamento nos conteúdos televisivos?

Quem discute a liderança de audiência das novelas globais, ainda mais quando se trata da novela das oito? Particularmente, eu não gosto da novela de João Emanuel Carneiro, A Favorita. Certamente não é responsabilidade do autor que eu me posicione dessa forma... Ele não pode agradar a tod@s e nem é pago para isso. É pago para agradar a maioria dos telespectadores brasileiros. É claro que já parei em frente

à TV e assisti algumas partes desta novela. As relações entre as personagens são compostas de intrigas que aguçam a curiosidade do grande público. O que não podemos tolerar é que a cada minuto de programação se percam valores tão importantes da humanidade.

A grande maioria das novelas, filmes, peças, músicas e demais meios artísticos estão corrompidos pela ganância capitalista. O meu medo é que a lógica mercantil se impregne de tal forma nas entranhas artísticas até que a cultura se torne simplesmente um produto fútil vendido em qualquer esquina. Quantas mensagens subliminares se apresentam na novela das oito? Valores e contra-valores se chocam. A trama pode ser alvo de várias discussões com temas como gênero, sexualidade, violência, etnia e outros, porém existe um direcionamento ideológico do tema que está no mercado televisivo no momento da novela. De quem é a responsabilidade dos direcionamentos de todas as nuances presentes na obra? O objetivo, a meu ver, é ter sempre um público cativo de mais e mais telespectadores para aumentar o ibope e com isso os lucros. Que vença a melhor emissora, e vale jogo sujo! È a guerra do mundo real.

Temos que lutar por uma comunicação alternativa por meio da Internet e TVs públicas já que não existe uma regulamentação para a mudança da TV Brasileira. Nascem mais e mais programações e todos voltados para a lógica da alienação da população. A mudança também deve se dar em nós mesmos! Se tod@s que buscam uma alternativa para uma vida melhor derem sua contribuição na discussão crítica dos meios de comunicação, seja onde for: nas escolas, círculos de amizade, no lar, trabalho, organizações civis e outros, a mudança será possível.
É evidente que devemos contar com o poder público e exigir que a política não se direcione preferencialmente para o capital, mas para o bem social de fato!

Naturalmente a luta por programas de TV mais diversificados e abertos às alternativas de exposição da arte e cultura tão ricas desta terra, não se ganha sem as reivindicações e contestações pontuais, mas o fato é que mais um teledrama global surgiu e observamos a história se repetir (Caminho das Índias...), até quando vamos suportar este monopólio cultural? Falo aqui de forma genérica, é que o problema permeia uma série de campos de ação.Um exemplo são os sinais de captação de imagem: quem tem um canal de melhor qualidade? Quem pode pagar aos “melhores” artistas e torná-los mais famosos com sua aparição na TV, além de dominá-los por contratos? Quem compra direitos sobre transmissões como as olimpíadas ou copa do mundo? Quem é capaz de manipular a opinião pública? É claro que é quem tem o “poder do capital”. E onde está a liberdade para a diversificação de programações? A hora de acordar já passou, engajar-se na busca por dias melhores é algo urgente! Por uma comunicação justa, solidária e crítica!


“Nós assistimos televisão também, qual é a diferença?” (Renato Russo)




Edineuda Soares - Estudante de Economia UFC ,Escola de Formação da Juventude (FADOC) e Juventude Alternativa Terrazul, Coletivo Jovem de Meio Ambiente Ceará e atuou durante seis anos na PJMP (Pastoral da Juventude do Meio Popular)

domingo, 8 de março de 2009

8 DE MARÇO

No dia 8 de março, é comemorado o dia Internacional da Mulher. É um dia um a ser celebrado pelas conquistas e vitórias das mulheres dentro da sociedade. Durante muito tempo, o papel da mulher restringia-se as obrigações e aos afazeres domésticos, além disso, estava subordinada ao homem. Hoje, a mulher vem conquistando cada vez espaços antes só exercidos por homens.

Porém, em alguns setores, há ainda muito a ser conquistado. Um exemplo é o segmento da construção civil que é uma das áreas que mais gera emprego e renda. Basicamente, o mercado é dominado pelos homens e pouco se vê a presença feminina nos canteiros de obra.

O preconceito e o machismo são os principais fatores que impedem a entrada das mulheres nesse segmento. Muitos não aceitam a idéia de receber ordens femininas, outros duvidam da sexualidade das companheiras de trabalhos ou ainda acham que mulher não serve para trabalho braçal.

Enganam-se aqueles que acham que as mulheres não podem ser mãos-de-obra para a construção civil. Alguns trabalhos podem ser perfeitamente executáveis por elas, como na pintura, revestimento de fachadas, instalações elétricas e hidráulicas...

Em alguns lugares, já existem cursos ofertados para as mulheres como forma de estimular a participação delas nessa área.

Hoje, a construção civil é uma área que está em alta. Há muitas obras acontecendo, principalmente no Brasil, como uma forma de estimular a economia. Porém, em alguns casos, falta mão-de-obra o que poderia ser resolvido se houvesse maior participação feminina.

Portanto, a lutas pelos direitos das mulheres continua. Lembrem-se que 8 de março não é só um dia de homenagens, mas sim de reivindicações por uma mundo mais justo e igualitário!




Adelle Azevedo. Tecnologa em Gestão Ambiental, Integrante da Juventude Alternativa Terrazul e do Coletivo Jovem de Meio Ambiente.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Cidadãos do mundo: univo-os!

Bem vindos "Cidadãos do Mundo". A frase do outdoor escrita em diversas línguas saudava os participantes que chegavam para a 9° edição do Fórum Social Mundial(FSM) em Belém, no Pará. Numa perspectiva global, o Fórum convidava a todos e a todas para deixar a cidadania nacional de lado e se unir a chamada por um outro mundo possível onde as fronteiras (linguísticas, físicas, culturais...) inexistem, prevalecendo a igualdade entre os povos ou ainda a soberania de cada povo.

Realizados entre os dias 27 de janeiro e 01 de fevereiro, em território amazônico, o FSM reuniu diversos grupos para debater os rumos de um planeta cuja crise não é apenas ecônomica, é também social e ambiental. Foram muitas expectativas para o evento que debateu os rumos do planeta.Mas tudo ficou apenas na expectativa.O outro mundo possível ficou para uma próxima vez.

O Fórum Amazônico foi marcado pela descentralização. Tendas divididas por temas fizeram com que a transversalidade temática, tal qual apregoado no paradigma holístico, não acontecesse. O FSM acabou virando mais um encontro das organizações que militam em prol de causa x ou y.

As lutas locais foram muito mais visíveis do que a própria luta global. Uma troca de experiências importante mas que não se configurou em um projeto maior. A idéia que se teve é que cada um queria gritar a sua luta, a sua ideologia, a sua palavra de ordem, enquanto a luta por um outro mundo se esvaia. Até o Sindicato dos Servidores Públicos de Fortaleza (Sindfort) esteve presente, distribuindo material contra a Prefeita de Fortaleza Luizianne Lins. O que se pretendia em uma escala global? Pensar local e agir globalmente - máxima tão enfaticamente repetida pelo movimento ambientalista - é uma das idéias que mais deve ser levada em conta para a mudança sistêmica almejada.

O Fórum também mostrou como a divisão da esquerda e o surgimento de um outro partido tem dividido também os movimentos sociais. A luta acaba sendo apenas contra o Governo Lula, pois parece não haver alternativas ou caminhos a serem seguidos em busca de um diálogo ou consenso com o governo. Aliás,Os movimentos não querem ouvir Lula. Boicotado na atividade dos Presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correira (Equador), Fernando Lugo (Paraguai) e Evo Morales (Bolívia), acabou sendo ovacionado horas depois em outro evento em que participaram os mesmo presidentes já citados. Uma mostra da força de sua aprovação e de que o modelo de desenvolvimento empregado no seu governo, insustentável do ponto de vista ambiental, deverá eleger Dilma Rousseff.

Um outro mundo possível não deve aguardar o próximo Fórum. Faz-se urgente a mudança de paradigmas. Essa mudança se faz na tentativa de entender a idéia de cidadão do mundo, divulgada nos outdoors. Ou melhor, a idéia de cidadão planetária, uma denominação mais abragente e não tão ligada a dimensão froteiriça. Mais do que romper fronteiras, é preciso entender que tudo está interligado numa complexidade própria e que todos estão relacionados. Se o clima muda, são as mulheres,crianças e jovens é que vão sofrer no futuro. Isso se continuar o modelo opressor que predomina. Tudo vai depender de quando começaremos a mudança desse outro mundo que queremos.





Por Isa
belle Azevedo. Estudante de Jornalismo, atua na Juventude Alternativa Terrazul.



segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Desabafo

Protesto contra a Rede Globo e sua Novela A Favorita!


Depois de décadas de monopólio da TV Brasileira pela direita e de imposição de um sistema conservador, capitalista, violento e sensacionalista a TV GLOBO conclui em seus últimos capítulos de A Favorita um show de machismo, conservadorismo e reacionarismo.

O fim da personagem – Dedina- uma mulher que é casada e se apaixona por outro cara – Damião- tem tesão por ele e fica com ele, que não é seu marido é A MORTE culposa. Mas antes da morte a personagem passou pelo estágio da loucura, humilhação, violência doméstica e a exclusão dos seus direitos a quaisquer bens materiais que tinha em comum no seu casamento, e quando morre pede desculpas a seu marido e seu amante pelo ocorrido, fala que a culpa era toda dela e que ela merecia esse fim.

Esse fim para essa personagem representa valores que a rede Globo quer impor para os telespectadores da novela, e o mais engraçado é que no mundo outros valores e princípios são construídos na sociedade brasileira que se contrapõe a esse pensamento a exemplos da luta pela liberdade de amar, a luta das mulheres com a conquista da lei maria da penha, a luta dos negros, entre outras. Isso prova que a rede Globo além da alienação, disputa um modelo de sociedade aonde os valores capitalistas são passados diariamente através de suas teles novelas, a exemplo do machismo e da violência.

"A utopia está lá no horizonte.
Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.
Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."
[ Eduardo Galeano ]


Por Gabriela Barbosa Batista. Estudante de Tecnologia Ambiental do Cefet, Presidente da Associação Alternativa Terrazul e Coordenadora Nacional da Rede Brasileira de Ecossocialistas.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

"Juntos na Esperança"

Ser alguém melhor, mudar positivamente, ter uma consciência humanitária; ações “simples” que mudará o rumo da Terra, dos seres, da vida...Durante anos se vive de maneira despreocupada, egoísta, ou na melhor das hipóteses: “sem os devidos conhecimentos”, até encontrar algo ou alguém que lhe chame à atenção para o outro lado dessa história.

Em um determinado momento surge uma luz com reflexos de mudanças, oportunidades de aprender e conhecer maneiras de lutar juntos por um mundo melhor.Somos todos responsáveis pelo futuro, o futuro comum da Terra, cuidar dessa Terra é cuidar de você, de todos; é preciso ter essa consciência. Para uns isso é irrelevante, mas está mais que na hora de abrirmos os olhos e o coração, darmos as mãos e voltar nossas ações e pensamentos para um problema que é nosso.
Aos poucos a mente vai se abrindo, novas leituras, discussões, desafios, novas experiências, e tudo vai se encaixando, idéias sendo formadas, conhecimentos adquiridos, e a vontade de fazer diferente. Não adianta ser hipócrita e passar uma imagem de “o cuidador do mundo, amante da Terra” e nada fazer, ficar na mesmice de sempre, cruzar os braços e parar no tempo, o que vale é querer lutar, nem que seja aos poucos, fazer o mínimo já é um grande passo pra mais adiante está fazendo grandes coisas, novos projetos, e se manter junto de todos nessa esperança de salvar a Terra.

Estamos diante de um momento crítico da história da Terra, uma época em que ahumanidade deve escolher o seu futuro [...] ou formar uma aliança global paracuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a dadiversidade da vida”

(Carta da Terra)


Ana Laíse. Integrante da Escola de Formação para a Juventude (Realizada pela Juventude Terrazul e financiada pelo FADOC)



.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

“Cale a Boca e Consuma” *

A idéia do consumismo é imposta pela cultura dominante como algo “vital” para as relações juvenis em nossa sociedade e isso se dá através das construções políticas e econômicas que incentivam a atitude do “ter” para está de bem consigo, e com as outras pessoas. A mídia é um instrumento fortíssimo e muito rápido na disseminação da ideologia capitalista, logo consumista. Propagandas de Alimentos trangênicos como o ‘BigMac Feliz’ espalhados em todos os meios de comunicação utilizando a imagem da juventude, sempre com roupas da moda, cabelos lisos e loiros, magros e saudáveis, representando a padronização estética, alimentícia, cultural e consumista e incentivando os/as jovens a consumir esse produto.

A questão alimentar está cada vez mais preocupante na cultura globalizada, que é acelerada, intensa e sua produção está voltada para suplementos energéticos e vitais, trazendo em sua embalagem a promessa dos alimentos, cada vez mais, super vitaminados e práticos.

Freqüentemente o alvo do marketing publicitário tem sido os/as jovens por serem sujeitos a maior vulnerabilidade, pois vivenciam o processo de construção de personalidade. A utilização de ídolos nas propagandas, modelos e de espírito de festa são instrumentos fortes para levar a aprovação do/a jovem a um determinado produto.

Porém, apesar dessa vulnerabilidade etária, os/as jovens são sujeitos/as da história e podem se identificar com a luta cotidiana de sociedade e são passiveis de mudança de pensamento em relação à educação para o consumo.

O mercado é muito forte e com essa insistência de atingir especialmente esse ideal de juventude levam diversos jovens, principalmente da periferia, a sentirem-se excluídos por conta do modelo de jovem da mídia. Esse sentimento de exclusão faz com que eles desejem ter e ser um consumista levando-os, muitas vezes, a cometerem crimes para alcançar o ideal de consumo: Consumo, logo existo!

A insegurança alimentar é algo visivelmente presente na concepção juvenil de alimentação. São alimentos gordurosos, transgênicos, refrigerantes e etc... O que ilustra as condições alimentares precárias para uma vida de praticidade para a família e para eles próprios, tornando os/as jovens cada vez mais doentes, obesos, dependentes, anorexos/as... Tudo por conta de uma busca de identidade, cada vez mais influenciada pelo capitalismo que nos impõe uma condição de vida medíocre e insegura.

Uma educação para o consumo é extremamente importante para a transformação social e na relação do ter com o ser. Os/as jovens têm várias potencialidades para protagonizar essa mudança social e alimentar. Temos que lutar por uma soberania alimentar das juventudes e dos povos!

A luta pelo direito de ter um consumo saudável precisa ser pautada no movimento das juventudes e na juventude brasileira como um todo, pois temos o direito de saber onde foi fabricado, como e por quem... Precisamos saber se é necessário para a vida, se é ecologicamente correto e se é sustentável! São perguntas essenciais para termos uma soberania alimentar onde possamos escolher como devemos consumir, quando devemos consumir, e de quem devemos consumir. Sendo assim, uma luta que deve ser travada pelos movimentos sociais junto à sociedade em geral.


*Trecho da música Consumo da banda Plebe Rude.


Por Fernanda Rodrigues. Estudante de Pedagogia da UFC, Juventude Alternativa Terrazul , Coletivo de Jovens pelo Meio Ambiente - CE e REJUMA.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Crítica feminista à sociedade de Mercado*

Nesse texto analisamos a mercantilização como a principal característica das sociedades baseadas no liberalismo econômico. Nesse modelo as relações entre as pessoas passam a ser mediadas pela relação com a mercadoria. As mercadorias parecem ter um valor em si, o que esconde a enorme quantidade de trabalho das pessoas necessário para produzi-las.

Esse sistema não se expande apenas colonizando regiões do planeta, em que as sociedades estavam organizadas de maneira diferente, ele se expande aumentando o ritmo e a intensidade de exploração do trabalho nas fábricas, nos lares, nos escritórios. E ele também se expande ocupando mais dimensões da vida das pessoas. Hoje, as novas fronteiras do mercado estão avançando sobre nossos direitos, sobre o meio-ambiente, a genética dos seres vivos, sobre os conhecimentos e a criatividade dos seres humanos.

Depois de uma forte resistência dos povos, principalmente através das lutas contra a OMC e os Tratados de Livre Comércio, percebe-se que o modelo passa por uma crise. Porém ele ainda mantém sua hegemonia, embora já não seja mais capaz de se apresentar como a única alternativa. A construção de um pensamento crítico e de ações diretas contra a mercantilização é fundamental para reconstruir, em nossa sociedade, a hegemonia de um outro modelo baseado no bem-estar da humanidade.

O lugar das mulheres na sociedade de mercado

O mercado tornou-se organizador da economia e, assim, nos impõe uma forma de organizar nossas vidas e de definir o que é ser mulher. Na vida de mercado, ser mulher é ser flexível e ter paciência para aceitar condições de trabalho cada vez piores e com salários cada vez menores. É sacrificar-se na informalidade sem nenhuma garantia de direitos. É se sentir responsável por cuidar sozinha da casa, das crianças, das pessoas doentes depois de um dia todo de trabalho.

É assim que a sociedade de mercado explora gratuitamente o trabalho doméstico das mulheres, para não ter que disponibilizar serviços públicos de saúde e educação, equipamentos como restaurantes populares, creches, lavanderias públicas, etc. O discurso disseminado é que serviços públicos são coisas do passado, que se queremos hospitais e escolas de qualidade, temos que pagar por eles.

Na vida de mercado, a mulher que depois de tudo isso se sente cansada, deve comprar numa farmácia as novas drogas que prometem dar fim às dores do corpo e da alma.

Somos mulheres, e não mercadorias!

Nesse sistema, que é ao mesmo tempo machista e capitalista, as mulheres são transformadas em mercadorias, objetos, seja na indústria da prostituição e da pornografia, seja na forma como são expostas na publicidade, que manipula nossos sonhos e desejos, criando necessidades que antes não existiam, apenas para aumentar o consumo.

A publicidade expõe as mulheres como um produto para consumo dos homens (e cujo valor é estabelecido pela vontade deles), no sentido literal, como fazem as propagandas de cerveja, ou no sentido indireto, quando afirmam que é comprando um produto X ou Y que elas agradarão aos olhares masculinos e serão felizes, como se fosse essa a primeira das suas atribuições: ser um objeto acolhedor, atraente, disponível. Também há as campanhas publicitárias que anunciam mil e uma facilidades para as mulheres cumprirem sua intensa jornada de trabalho, como os produtos de limpeza que fazem milagres para que a realização das tarefas domésticas, que cabem às mulheres, seja mais “eficiente”.

A definição da “feminilidade” é marcada pela dependência em relação às expectativas masculinas, reais ou imaginadas. Basta olhar ao redor para perceber que estamos cercadas de produtos a serviço da “feminilidade”, que se baseiam na exploração e na naturalização dessa dependência.

Na publicidade, a mulher é constantemente representada assim: um objeto de consumo, que, para ter valor, tem que seguir um padrão. Para atingir esse padrão, ela deve aceitar as condições do mercado e consumir uma enorme quantidade de produtos e serviços. As mulheres exibidas nessas propagandas viram “modelos de perfeição”, modelo que as mulheres perseguem como se fosse uma condição para sua realização. Assim, a exposição da imagem e do corpo das mulheres como objeto contribui muito para colocá-las num estado permanente de insegurança com relação ao seu corpo.

As formas do corpo da mulher, historicamente controladas, hoje também podem ser compradas segundo os padrões da moda. Segundo o secretário-geral da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em entrevista à Folha de São Paulo, a quantidade de adolescentes que colocam prótese de silicone aumentou 300% nos últimos dez anos. Em 2006, foram realizadas 700 mil cirurgias plásticas no país. O padrão segue semelhante em outros paises do mundo, tais como a Espanha onde uma pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética do ano 2005 indicou que 40,1% das cirurgias de estética praticadas no país são em menores de 21 anos. Esse país Europeu está em quarto lugar do mundo por numero de procedimentos com uma porcentagem de 8,14%, atrás os Estados Unidos (12,9%), México (9,23%) e Argentina (8,46%). De forma alarmante, o crescimento do mercado também se dá por sua expansão para as mulheres do meio popular através de parcelamentos, consórcios ou dívidas com agiotas.

Direito ao nosso corpo

A mercantilização do corpo e da vida das mulheres também se expressa no plano da sexualidade. A determinação de um padrão para o exercício da sexualidade feminina e a constante vigilância e controle sobre ela demonstram que, no plano do sexo, as mulheres também devem ser vistas como disponíveis e pertencentes aos homens. A vivência da sexualidade está marcada pelas relações opressivas que as mulheres vivem na sociedade.

É visível que há uma banalização da sexualidade feminina, exposta incansavelmente pela mídia ou abordada de forma pouco respeitosa em diversos âmbitos da sociedade. Dessa forma, a sexualidade também é apresentada como uma mercadoria disponível. Essa banalização traz consigo uma padronização no exercício da sexualidade, impondo um padrão aceitável de como cada um e cada uma deve vivenciar a sua. Tal situação expressa que o controle sobre o corpo da mulher e sobre a sexualidade está muito relacionado com essa realidade de coisificação e mercantilização.

Por exemplo, por mais que haja uma farta exposição da nudez feminina e de exploração da sexualidade, o sexo ainda é altamente atrelado à realização da maternidade. Na sociedade de mercado vivemos um retrocesso: a maternidade como obrigação e condição para que uma mulher seja “completa” é um dos discursos permanentes da propaganda, dos anúncios de pasta de dente aos de seguros de saúde.

O feminismo pôs em debate a função social da maternidade, a responsabilidade do poder público em garantir serviços de saúde de pré-natal e parto, creche e educação, entre outras políticas. Ao mesmo tempo, deve ser garantido às mulheres o direito de decidir se querem ou não ter filhos e o momento de tê-los.

Ser mãe biológica também se tornou uma mercadoria através do mercado da “reprodução assistida”. Cada vez mais mulheres consideram natural procurar médicos, tomar hormônios e submeter-se a processos dolorosos para engravidar a todo custo.

A mercantilização do corpo, da vida e da sexualidade da mulher também se manifesta através das indústrias farmacêuticas e da alimentação (as duas minas de ouro das transnacionais), e da beleza com suas falsas promessas.

Mulheres em ofensiva contra a mercantilização

Ser contra a mercantilização do corpo e da vida das mulheres significa combater a lógica que transforma as mulheres em objetos a serem comprados, vendidos, ou mesmo tomados à força.

A desconstrução dos mecanismos do mercado, da exploração do trabalho, das pressões da mídia, passando pelas novas e velhas formas de controle do corpo, vai ao coração do sistema capitalista, e nos permite, a partir de experiências cotidianas das mulheres, fazer relações entre as situações de opressão e o funcionamento da ordem econômica.

A MMM tem como um eixo estruturador de sua ação a luta contra o livre comércio ou livre mercado. No Brasil, por exemplo, atuou na luta contra a OMC, denunciando que essa instituição não serve apenas para a regulação do comércio, mas tem como objetivo a mercantilização de todas as dimensões da vida. Na Campanha contra a Alca, em 2002, a MMM elaborou como consigna “O mundo não é uma mercadoria! As mulheres também não!”. Esta consigna se transformou em um grito da batucada feminista: “A nossa luta é todo dia: somos mulheres e não mercadoria”. E de lá para cá, a MMM no país tem lutado e resistido em vários espaços feministas e mistos no país, nos Fóruns Sociais Mondais, nos Fóruns Brasileiros, em oficinas, ações direitas, mobilizações, encontros nacionais e estaduais, e nas ofensivas (como a “Ofensiva contra a Mercantilização do Corpo e da Vida”).

A luta contra a sociedade de mercado e a resistência à mercantilização do corpo e da vida das mulheres segue como um eixo fundamental para uma ação feminista que incorpore a perspectiva de classe e seja protagonista de uma transformação profunda da ordem social global. Ou seja, para a construção de um feminismo não institucionalizado e militante.

*Texto adaptado do Caderno Marcha Mundial das Mulheres, Nº 1 – Junho 2008, MMM Brasil.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Meio Ambiente e Religiosidade: o mito do "paraíso" e a crise ambiental.

Algumas religiões, especificamente as cristãs, têm como ponto de partida para a sua teologia o Gênesis, que é a narrativa bíblica da criação do mundo. Essa narrativa coloca o homem como sendo parte da criação, porém, sendo responsável por cultivar e guardar o que foi criado por Deus. Nessa lógica, naturalmente, seria esse o grande papel dado por Deus aos seres humanos: compartilhar a vida com a natureza.

“Javé Deus tomou o homem
e o colocou no jardim do Éden,
para que o cultivasse e guardasse”
(Gn 2, 15)

O momento em que estamos situados é marcado pelo avanço das tecnologias, onde a máquina toma cada vez mais espaços e a relação entre as pessoas se torna cada vez mais superficial. Além disso, marcados pelo consumismo exacerbado, aspecto singular do sistema capitalista, as pessoas estão cada vez mais egocêntricas e individualistas.

As religiões nesse contexto adquirem, muitas vezes, um papel meramente de "remédio" para as angústias e frustrações pessoais, raramente assumindo o papel de formadora de seres humanos conscientes. Sendo assim é urgente que as religiões, filhas da idéia ‘criacionista’ do mundo e que se autodenominam representantes de Deus na terra, resgatem esse cuidado, esse papel que nos foi atribuído.

A idéia de vida eterna, de paraíso após a morte que tanto é difundida pelas religiões cristãs, que é assimilada pelos crentes dessas religiões pela necessidade que têm de projetar algo além da vida, poderia fomentar o resgate do paraíso primeiro, aquele do Gênesis, que parecem ter perdido de vista depois de tanto olhar para o desconhecido idealizado na pós-morte. Esse ‘paraíso’ tão sonhado pela cristandade é a própria Terra que hoje clama pela vida. É a terra das desigualdades sociais, do consumismo inconsciente, de tantas guerras e de tantos pré-conceitos.

Não podemos recriar o ‘paraíso’, mas podemos transformar a realidade com a qual nos deparamos atualmente, seja enquanto indivíduos, como coletivos pelo meio ambiente, ou como parte integrante do meio natural. O que não podemos é tentar viver em função do que está para além da nossa realidade atual, desconsiderando que a projeção para além da vida na terra que nos garante maior aprendizado é aquela que se faz para transformar ou garantir a melhor vivência da realidade.

Que a nossa capacidade de idealizar garanta as nossas utopias, mas que não nos faça fechar os olhos para a vida e para a realidade que nos rodeia e envolve.

Por Ediane Soares. Estudante de Filosofia, participa da Juventude Terrazul e atuou durante seis anos na PJMP (Pastoral da Juventude do Meio Popular)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Rede Brasileira de Ecossocialistas e Juventude: Conjuntura e perspectivas

A Rede Ecossocialista esta organizada em 10 estados do Brasil e agrega militantes de várias faixas etárias, etnias, gêneros e organizações diferentes, mas o que a diferencia de outras redes e organizações é a concepção de mundo, a forma de se organizar e a luta que trava.

A Ecologia nesse espaço não é vista somente como as questões ligadas a preservação, ou a conservação de espécies ou biomas, mas sim como uma nova forma de organizar a luta política contra o capital , o questionamento das relações entre homens e mulheres e suas relações com outros seres que habitam o planeta, bem como, a utilização insustentável dos recursos naturais.

Os Ecossocialistas combatem tanto exploração clássica do homem pelo homem como também a exploração da natureza pelo homem. Assim, pregam que a luta ecológica é parte integrante da luta de classes.

Na atual conjuntura, marcada pela crise civilizatória, como bem demonstra o aquecimento global da terra, não se pode separar a luta ambiental da luta pela mudança do atual sistema de produção e consumo de mercadorias. Rosa luxemburgo já nos ensinava: Socialismo ou Barbárie. A Rede Ecossocialista tem clareza que esse socialismo só pode ser construido através das lutas pela igualdade e justiça social: através da participação e auto- organização dos trabalhadores e trabalhadoras, do respeito ao meio ambiente e a utilização de tecnológias limpas; do combate à todas as formas de discriminação seja, de cor, de credo, de raça, de gênero e de orientação sexual. Da luta altermundialista presente no Forum Social Mundial.

Os Ecossocialistas declaram o seu combate permanente ao capitalismo, mas também as tiranias burocráticas do chamado "socialismo real". O Ecossocialismo é a junção das mais caras e generosas lutas dos socialistas do mundo inteiro, tendo a frente o legado de Marx, Engels, Lenin, Rosa Luxemburgo, Trotsk, entre outros, com as lutas contemporâneas contra a destruição da natureza, a guerra total e a detruição da vida no planeta.

Os Ecossocialistas manifestam-se ao mundo através da Carta de Princípios Ecossocialistas e do Manifesto Internacional pelo Ecossocialismo.

A juventude combativa, rebelde, que não aceita ser explorada, oprimida e alienada pelo capital tem um papel estratégico na luta pelo ecossocialismo. Os jovens não podem aceitar o futuro trágico que nos prepara o grande capital. Eles e as futuras gerações não podem se conformar com a perda da biodiversidade, com a diminuição da água potável, com o aumento da poluição industrial, com a contaminação transgênica e com um mundo cinza, sem beleza e sem sutileza, produto da crise ambiental planetária, cujo o exemplo cabal são as mudanças climáticas que já estão ocorrendo.

É hora da juventude encarar de frente a luta ambiental. Nessa perspectiva conclamamos os militantes de juventude a se somarem à Rede Brasileira de Ecossocialistas e construirem essa nova e real utopia de que um outro mundo sustentável é possível.

Por Gabriela Barbosa Batista. Estudante de Tecnologia Ambiental Cefet, Presidente da Associação Alternativa Terrazul, REJUMA e Coordenadora Nacional da Rede Brasileira de Ecossocialistas.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O vôo dos Arigós

Só quando ela surge ali, impávida, agigantada pela beleza e pelo esplendor, é que se dá conta de onde se está: Amazônia. Precisamente em Santarém, parte oeste do estado do Pará. Os jovens jornalistas que visitam a floresta pela primeira encantam-se com aquele pedaço que é também Brasil. É uma nova experiência. Culpa (ou desculpa) do Laboratório Ambiental para Estudantes de Jornalismo, promovido pela Fundação Konrad Adenauer e o Programa Saúde e Alegria (PSA). A proposta? Sair das redações para conhecer outra realidade e trazer uma reportagem pronta. Ah! Lembra até uma certa Realidade...

Mesmo os jornalistas mocorongos* ainda não conheciam tão bem o lugar em que moram. Vez por outra, dava pra ouvir o pensamento de um dizendo “muito prazer Tapajós”. O não-conhecer os lugares não é privilégio deles. A verdade é que pouco se conhece do próprio espaço.

E não é apenas a floresta que encanta. De um lado ao outro, um rio extenso de águas claras duela com outro rio de águas barrentas. Os guerreiros Tapajós e Amazonas passam dias e noite a duelar no espetáculo das águas. É uma batalha sem vencedores. Ou melhor, os vencedores são aqueles que param e fitam o olhar para admirar a beleza de tudo.

Talvez o espanto seja só coisa dos Arigós** que chegam a terras dominadas por tanta água e mato e começam a se assombrar com o tamanho de tudo. Falta de costume. De onde eles vêm os rios não passam de um filete de água que só escorre em época de chuva. Quando o inverno não é bom, o solo racha de tão seco que fica. Só um rio é capaz de permanecer cheio o tempo todo. Isso porque foi artificializado. Mas, comparado ao Tapajós, não passa de um filete de água canalizado. Isso porque de uma margem a outra, o Tapajós chega a ter 19 km de extensão.

É por isso que os Arigós arribaram pras bandas do Pará nas décadas passadas. Fugiam da seca e da miséria. Primeiro foram Foram em busca de água para beber e terra disponível para plantar. O problema é que a terra disponível, e a indisponível também, foi parar nas mãos de poucos (para variar). Os que querem mais terra para plantar soja vão abrindo clarões no meio da mata, destruindo grandes riquezas. E o desmatamento, é tão grande quanto à floresta. Vai assustando. É aí que se para pensar no futuro. Uau. Que futuro? Quando se volta de lá, Paroara***, a idéia de transformação se aguça. O futuro vira então uma inconstância e o presente é o dever da mudança.


*Mocorongos - Os nascidos em Santarém.

** Arigós – Nome dado aos nordestinos que se instalaram no norte do país.

*** Paroara – Nome dado aos nordestinos que voltaram aos seus estados de origem.

Por Isabelle Azevedo. isabelle.azevedo@gmail.com. Estudante de Jornalismo UFC ,Coletivo Jovem - CE/ Juventude Alternativa Terrazul. Integrou a equipe de estudantes que participou do I Laborátorio Ambiental para estudantes de jornalismo sob o tema - Amazônia e Mudanças Climáticas, promovido pela Fundação Konrad Adenauer e Programa Saúde e Alegria.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

AGENDA 21 E JUVENTUDE: TRANSFORMAÇÕES PARA A SUSTENTABILIDADE*

A discussão modelo de desenvolvimento para a sociedade é pauta da esquerda mundial há vários anos. Os espaços de grande importância, como Fórum Social Mundial(FSM)têm como eixo a discussão de que um outro mundo é possível, incorporam as questões ambientais em suas temáticas, demonstrando que somente as mudanças dos modelos político, econômico e social são insuficientes para garantir a justiça, a eqüidade e a qualidade de vida para todos os habitantes da terra.

De acordo com os estudos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgados em 2007,o planeta apresenta um quadro preocupante, principalmente para os países mais vulneráveis. A temperatura global tem aumentado de forma assustadora, sendo estimado um acréscimo de 5,4°C até o final do século, ameaçando vários ecossistemas. Segundo o IPCC (2007), 90% das mudanças climáticas têm causa na ação humana.

A sustentabilidade, expressão que vem se popularizando, traz consigo a concepção de que é possível existir um processo de desenvolvimento que atenda as necessidades e as aspirações das gerações presentes e futuras. Busca-se outras formas de desenvolvimento que não acompanham a lógica do modelo de produção e consumo do sistema capitalista fundada na exploração sistemática e ilimitada de todos os recursos da Terra, incluindo os seres humanos.

Durante a Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992, conhecida, também como Rio-92, a Agenda 21 foi um dos documentos centrais das discussões, juntamente com a Convenção sobre Mudanças Climáticas e a Convenção Sobre Diversidade Biológica, sendo os três assinados por Chefes de Estado nesse evento. Esse trio tratou de praticamente todas as grandes questões socioambientais, demonstrando a inter-relação entre eles e suas conseqüências em nossas vidas.

A Convenção Sobre Diversidade Biológica é o principal fórum mundial na definição do marco legal e político para temas e questões relacionadas à biodiversidade ((http://www.cdb.gov.br/CDB). A Convenção sobre Mudanças Climáticas, assinada durante a Rio-92, entrou em vigor em 1994 propõe ações e diretrizes para o combate ao aquecimento global, por meio do protocolo de Quioto, e vem sendo discutida nas Conferências das Partes (COP).A Agenda 21 Global é um documento que está voltado para os problemas prementes de hoje e tem o objetivo de preparar o mundo para os desafios do próximo século. Ela reflete um consenso mundial e um compromisso político no nível mais alto no que diz respeito ao desenvolvimento e à cooperação ambiental. Reconhece que o desenvolvimento sustentável e a proteção do meio ambiente somente serão viáveis com o apoio das comunidades locais, que terão ações locais com a visão global dos problemas a serem enfrentados. Por isso, uma das grandes recomendações da Agenda 21 Global é que cada país signatário construa a sua própria Agenda 21. O Brasil tem a sua Agenda 21 e incentivo à construção de processos locais.

A Agenda 21 tem sido um instrumento importante para a transformação da realidade. Quando se pensa em utilizá-la, é porque há uma reflexão de que a maneira como está se vivendo é insuficiente para perenizar a vida humana no planeta. É preciso, além da mudança nas relações entre pessoas e a natureza, mudar as relações entre os próprios seres humanos, repensando princípios e valores vigentes na sociedade. A Agenda 21 brasileira tem seus princípios baseados na Carta da Terra.

A Agenda 21 traz no caminhar dos seus passos (mobilização e sensibilização; criação do fórum da Agenda 21; elaboração do diagnóstico participativo; elaboração, implementação e avaliação e monitoramento do plano de ação) a construção coletiva da práxis em todo o processo de planejamento e ação que devem resultar na transformação da realidade, tendo em vista a construção de um mundo sustentável, diagnosticando e entendendo os conflitos envolvidos e pactuando formas de resolvê-los. O processo de Agenda 21 significa, então, o exercício da democracia participativa, coloca à mesa o poder público e os setores econômicos e sociais da sociedade, pactuando cada passo a ser dado.

A juventude não está deslocada dessa realidade. No Brasil, são 34 milhões de jovens, segundo dados do IBGE (2000). Esse segmento se organiza em diferentes espaços com o intuito de construir um mundo cada vez mais sustentável. Entre esses espaços, estão processos de Agenda 21 em escolas, comunidades, cidades, etc.

Atualmente tem se discutido a construção da Agenda 21 da Juventude Brasileira. Esse processo visa organizar as juventudes para a discussão da sua realidade dentro de uma perspectiva ambiental, com o intuito de construir ações que contribuam para a transformação da realidade, levando em consideração suas peculiaridades como segmento.

O tema mudanças climáticas também é pauta de discussão da juventude, uma vez que ela também sofre com o aquecimento global. Principalmente quando falamos de jovens das periferias das cidades e jovens do campo. Estes, além de sentirem a opressão de classe, etária, étnica e de gênero, sentem com intensidade as conseqüências das ações humanas na natureza.

Por isso, a importância de construir um processo em que seja possível o diálogo entre as diversas juventudes, o estado e o setor privado na perspectiva de consensuar ações e políticas que estejam de acordo com a realidade desse segmento e as suas aspirações, sem comprometer as gerações futuras e repensando princípios e valores da sociedade.

A Agenda 21 da Juventude Brasileira é um passo para a construção da sustentabilidade. A discussão do modelo de desenvolvimento é a base para iniciar qualquer processo de Agenda 21, e no caso da juventude não deve ser diferente, o que contribui para a mudança de comportamentos, princípios e valores da sociedade.


Por Rebeca Raso
Estudante de Economia Doméstica da UFC, Coletivo Jovem pelo Meio Ambiente - Ceará, Juventude Alternativa Terrazul e REJUMA.


- - -

*Artigo publicado na Revista Agenda 21 e Juventude